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sábado, 4 de março de 2017

Amor de Prateleira

O "Eu Te Amo" virou commoditie. Encontrado em promoção em qualquer esquina. O Amor, produzido em massa, é industrializado e empacotado numa embalagem bonita. Vazia. E não tem problema se quebrar ou não funcionar. Hoje em dia tudo tem garantia: é só trocar por outro.

Vejo o bem mais precioso da humanidade, distribuído em amostras grátis. Apenas em edição limitada. O para sempre dura só até o próximo lançamento. Depois, sai de linha. Mas só até vir a nova edição de carnaval.

Se acabar o estoque? Quem coleciona amor hoje em dia?

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Estranhos

Foto: Raul Lieberwirth

João e Maria se casaram há muito tempo - uns 2 anos. Se conheceram quando corriam no parque da cidade. Começaram a correr juntos, e a paixão corria com eles. Na verdade, a relação foi toda corrida: em 3 meses foram morar juntos, em 5 estavam noivos, em 8, casados.
Depois que a paixão explosiva passou, os dois começaram a se estranhar e os problemas começaram. Uma vez, Maria saiu para beber e acordou meio atordoada, com um desconhecido na cama.
- Meu Deus, o que foi que eu fiz!? - Sussurrou, caindo de susto no chão.
Ligou para sua melhor amiga:
- FÊ! Fiz besteira...
- O que aconteceu, Má?
- Acordei com um estranho na minha cama... o que eu faço?
- É gostoso?
- Meio barrigudinho.
- Putz... já contou pro João?
- João? – Ela olhou para a cama de novo – Nossa, esquece, devo estar bêbada ainda.
(Não estava)

Aconteceu o mesmo com João quando, num domingo qualquer depois do Futebol, levara os amigos para casa para tomar uma cerveja e assistir ao jogo do Corinthians. Quando ele abriu a porta e olhou para a cozinha, deixou cair a bola e o queixo com o susto. Voltou rapidamente e fechou a porta atrás dele.
- Meeeu! Tem uma mulher na minha cozinha!
- É gostosa? - Perguntou Marquinhos.
- Tem a perna meio fina.
- E cadê a Maria, cara? - Perguntou Carlão.
- Maria? – Ele abriu a porta e analisou a mulher fazendo panqueca -  Eita, acho que tô desidratado da pelada.
(Não estava)

Outra vez, Maria chegou em casa e viu um cara fuçando no guarda-roupa do quarto, bem na gaveta das roupas intimas. Ela, apavorada, correu para o telefone e ligou para a polícia:
- Um cara invadiu a minha casa e tá roubando as minhas calcinhas!
- Amor! - Gritou João, do quarto – Cadê a minha cueca de elefante!?
- Ah... esquece, é meu marido - E desligou o telefone.

Tanta era a estranheza que isso ainda se repetiu uma última vez. João, chegando do trabalho, encontrou alguém assistindo sua T.V.
- O quê? Quem é você!? – Disse, surpreso.
- Eu? Quem é você!? E o que está fazendo aqui!? – Maria gritou com o louco que invadira sua casa.
- Eu sou o João, eu moro aqui.
- Não mora não, eu que moro aqui!
Maria falou com tanta convicção que João achou que tinha cometido um erro mesmo.
- Nossa, acho que errei de apartamento então, minha senhora, desculpe - deu meia volta e saiu.
Maria parou para pensar no que tinha acontecido. Percebeu algo de errado. Fez uma cara de brava e falou consigo mesma:

- Pera aí, não acredito que aquele idiota fez isso ... Senhora!? Fala sério, que babaca. Senhora é o cacete.