sexta-feira, 26 de abril de 2019

COLEÇÃO DA GENTE MESMO

Somos monstros
de Frankenstein.
Nascemos de retalhos
alheios.

Cópias de outras pessoas
que nos dão vida
aos pedaços.

Catando farrapos de
outras almas
que nos atravessam.

Cada estranho pelo caminho
deixa um pedaço de si na gente.
Cada visita que
deixamos entrar
entalha em nossos corações
uma escultura de como
imaginam
que deveríamos ser.

Somos como obras
de arte.
Telas em branco.
Papel sem letras.
Massa amorfa e
cinza.

Que vai pegando emprestado
do pincel
de outras vidas,
Tinta
Letras
e Forma.

A gente
se esculpe,
se corta,
se escreve,
se pinta,
se enquadra,
se grava,
se costura,
se monta
e vira
A gente

E
assim,
de cópia em
cópia,
feitos um pouco de todo mundo,
nos criamos:
Únicos.