quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Marcha do Raiar

Braço erguido,
cabeça baixa.


Luz do dia lá fora,
luz incandescente aqui dentro.


Boca abre pro bocejo,
retorce pro bom dia.


Educação manual,
porta automática.


Marcha automática,
trabalho manual.


De passo em passo chegamos finalmente
a lugar nenhum.


Entre as frestas dos cotovelos
a gente encontra um olho ou outro.


Esquerda, direita, esquerda, direita, esquerda, direita. Seguindo o ritmo, estudado e comprovado, para fazer com que tudo se mova mais rápido exatamente no mesmo lugar.


Cuidado com o vão entre o trem e a plataforma
Cuidado com o vão entre o trem e os passageiros
Cuidado com o vão entre os passageiros
Cuidado com o vão dentro dos passageiros
Cuidado com o vão de dentro
Cuidado com o vão


Tropeçou


Caiu em si mas errou


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Viver é como olhar pela janela do trem. Tudo passa muito rápido, menos o que você escolhe observar. Você ganha alguns segundos se acompanhar algo com os olhos, mas todo o resto diretamente em volta se perde em um borrão. É uma escolha: você foca em algo e abre mão do resto.

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