domingo, 9 de agosto de 2020

Macropus Rufus

Estava eu, vagando por um deserto na Austrália - pelo menos eu acho que era na Austrália - totalmente perdido. Minha PRÓTESE já havia se soltado pela terceira vez quando percebi que não iria aguentar muito tempo sem água, sem comida, sem sombra e, para piorar tudo, fora de forma.

Estava quase desmaiando quando olhei para o lado. O que vi me fez despertar como um relâmpago: andando - ou melhor, pulando – em minha direção vinha um Macropus Rufus enorme! (Um canguru vermelho, para os menos abastados de vocabulário). Sabia que qualquer movimento brusco poderia fazê-la me atacar. Quase que perguntei ao MARSUPIAL:

- Você tem uma água, amiga? – Para você ver o quanto eu estava desidratado.

Assim, como se ela tivesse lido a minha mente, o canguru levantou as orelhas e olhou fixamente em uma direção. Logo depois se virou e partiu; nem tive tempo de agradecer minha SOLENE amiga. Pode ser que eu estivesse mais seco que o deserto aos meus pés, mas eu tinha certeza que aquela criatura havia me indicado a direção.

Rumei para onde olhou o grande canguru, que resolvi chamar de Ariadne, e parti pulando - não em homenagem à minha mais recente amiga, mas sim porque minha perna estava se soltando de tanto suor.

Depois de mais uma hora andando e implorando perdão aos anjos, quase perdendo minha fé, encontrei a maravilha. Cheguei quase que me arrastando em um largo de terra entre dois rios.

- Minha MESOPOTÂMIA salvadora! – Gritei.

Quase me afoguei de tanto que bebi. Depois de brincar como criança na água, para me refrescar e recobrar as minhas forças, olhei em volta procurando um lugar para recostar. Avistei uma árvore que cresceu exatamente entre duas rochas de tamanhos iguais, ignorei a AMBIGUIDADE visual e me sentei apoiado em seu tronco formoso.

Sabia que se esperasse ali por um tempo uma tribo indígena iria passar, para se reabastecer ou para um piquenique. Dito e feito (pensado e realizado?) não se passaram algumas horas até que um grupo nômade estivesse de passagem. Acompanhei-os até sua tribo, e de lá consegui indicações de volta para a civilização.

Assim, após essa traumática – mas muito enriquecedora – experiência, eu escrevo esse relato verídico, de como eu fui salvo por um canguru.


Nota do Autor: esse texto nasceu de um exercício de palavras soltas, escolhidas aleatoriamente. São essas que estão, também aleatoriamente, em MAIÚSCULAS.

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