Uma praça ao estilo nouveau é o palco.
O show, dois poetas escrevendo uma poesia
sobre uma Flor que brotava bem ao lado da fonte,
no centro da praça ao estilo nouveau.
O primeiro, amante de Beethoven, Bach e Vivaldi.
Acadêmico estudioso.
Leu tudo de Guimarães Rosa, Fernando Pessoa e Tati Bernardi
Nada a ver, eu sei. Mas a vida às vezes é assim.
O segundo, prodígio. Recém-formado em letras na Université de Paris.
Com bolsa e tudo.
Apreciador de Descártes, Dumas e Edgar Allan Poe.
Chato, eu sei. Mas tem gente que é assim.
Ambos dilaceravam o papel com suas penas,
Tempesteando palavras.
A tinta do tinteiro se contorcia aos espasmos.
Os bancos, clássicos, construídos artesanalmente por um artista de Florença,
davam suporte à criação.
Ambos os poetas se encontravam em fluxo criativo transcendente.
Inspirados por sua musa.
O Sol estagnou-se para observar o duelo que entraria para a história.
Surreal, eu sei. Mas as estrelas tem dessas.
No fim, quem escreveu a melhor poesia?
A Flor.
Simplesmente muda.
